Pesca da tainha
Entre maio e julho, a chegada do cardume de tainha ainda organiza a vida da vila como organizava há séculos — parelha, vigia e cerco de praia, tudo do jeito antigo.

Se tem uma tradição que resume o litoral sul de Palhoça, é a pesca da tainha. Entre maio e julho, quando o cardume de Mugil liza entra pela enseada da Pinheira e segue rumo à foz do Rio da Madre e à Praia do Sonho, pescadores de toda a região ainda praticam o mesmo ritual dos avós: parelhas de pesca se organizam na orla, e "vigias" — pescadores mais experientes — sobem aos morros e costões para avistar o cardume de longe e avisar a hora certa de lançar a rede. A Ponta das Andorinhas, na Pinheira, e outros pontos altos do costão eram usados justamente para isso, o que explica por que tantos mirantes da região têm nome ligado à pesca.
É tradição que ainda pesa mais que o lazer: durante a temporada da tainha, atividades recreativas como o surfe chegam a ser restringidas em certos trechos da orla quando os vigias sinalizam a presença do cardume, porque o conhecimento pesqueiro segue vindo antes de qualquer outra coisa. Quem passa pela região nesses meses tem chance real de ver o cerco de arrasto acontecendo ao vivo — e de comprar peixe fresco direto da rede, ainda molhado de mar.


